Em breve poderemos ver um buraco negro de verdade

Nós nunca conseguimos avistar um buraco negro, mas isso pode mudar em breve...


Sagittarius A* é um dos objetos mais fascinante de toda a nossa Galáxia, afinal de contas, trata-se do buraco negro supermassivo da Via Láctea. Segundo estudos científicos, a maioria das galáxias (se não todas) abriga um buraco negro em sua região central.

Os cientistas não conseguiram, até agora, "ver" um buraco negro, já que seu poder gravitacional é tão grande que nem mesmo a luz escapa dele. Porém, diversas estrelas parecem orbitar um ponto vazio no espaço, e segundo cálculos matemáticos, o corpo responsável por essa atração gravitacional é muito, muito massivo. E sua massa seria tão grande que nem mesmo a luz consegue se livrar de seu poder gravitacional. Mas o horizonte de eventos pode produzir e liberar radiação.
O buraco negro da nossa Galáxia tem uma massa de aproximadamente 4 milhões de vezes a do nosso Sol, e apesar de nunca termos o observado diretamente, há diversas evidências de que ele realmente está lá. Apesar disso, alguns cientistas permanecem céticos sobre esse assunto, já que ninguém nunca conseguiu observar de fato o nosso buraco negro central, e nenhum outro inclusive. Mas isso pode mudar em breve.

No deserto do Atacama, norte do Chile, temos uma rede de observatórios que funciona como uma grande janela para o espaço. Lá, cientistas e pesquisadores de diversos países conseguem enxergar o invisível aos olhos humanos, e assim, descobrir quase que diariamente diversos segredos do cosmos.
Ainda assim, observar um buraco negro com um ou até mesmo com uma rede de telescópios não é uma tarefa fácil. Eles precisam de diversos telescópios grandes, sensíveis e superpotentes. E no deserto do Atacama encontra-se uma peça chave para desvendar esse segredo: O VLT (Very Large Telescope - ou Telescópio Muito Grande em português), operado pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), no qual o Brasil faz parte. E é utilizando o VLT que poderemos obter a primeira "imagem" do buraco negro Sagittarius A*.

                     Quatro das 66 antenas pertencentes ao Observatório ALMA. Créditos: ESO

E pra ajudar nisso tudo, existe um outro observatório próximo ao VLT, chamado ALMA (Atacama Large Milimeter Array), que é um rádio telescópio com 66 antenas que podem ser usadas para observar regiões do espaço que telescópios comuns (de luz visível) não podem enxergar.
Portanto, em breve poderemos ter os primeiros dados observacionais diretos de um buraco negro, e a primeira imagem de um objeto que até agora, é um grande mistério na Astronomia. Estamos conhecendo cada vez mais o Universo em que vivemos.